...por toda a intensidade de delícias projetadas, parti para o onírico. Is this to end or just begin? Robert, por hipnose me prendia as atenções e foi o início das vontades que ainda não saciadas me impedia a chegada aos sonhos. Mas, eu estava meio grogue, meio tonta de desejo e não conhecia mais os limites, do que era a música, a lembrança, a distância do real e dos sonhos. Entreguei-me ao convite prévio cheia de boas intenções e saborei cada detalhe do que fora descrito e do que podia atingir minha imaginação. Ali no escuro, era uma busca pela presença, a lembrança do que fora beijado e do tecido que fora tocado buscando a pele e fiquei molhada... sim você fez isso e eu acredito em todo o calor que podemos encontrar, por isso vou me pré aquecendo para ti.
Um dia ele veio até mim e disse: _dentro de você e de mim, ondas terríveis se formam. Como uma boa Carmen: _ Não estudei, mas, sei que o mundo não pertence aos inocentes. Não tenho medo, mas é porque nunca pude...nunca soube...me ligar a ninguém.
Ai é possível concluir que se for possível levaremos adiante.
Existe uma persistência na alma, nas sensações femininas de ver o mal como o acaso?_ indagou, junto a franzida na testa antiga_ É hora que sua loucura veja o oposto das coisas que conhece.
Porque?
tudo treme tudo treme. a terra, a casa, eu...meu sexo também treme.
Alguma coisa não aconteceu, o que será que não aconteceu e que abalou o tal do eixo e desde então ficou uma reticência de "se...". O que (não) está pra acontecer, acontecerá (não)?
O poder é nosso!
Talvez o verdadeiro poder esteja na imaginação das pessoas, as versões do (im)provável acontecido, a possibilidade de imaginar de várias formas e mudar o que não aconteceu. Esse é o verdadeiro poder, assim intangível e não faz mal a ninguém!
é uma relação bem estranha - EU e o que se passa do lado de dentro... é como se a superficie estivesse numa briga eterna com as entranhas, e onde foram parar as entrelinhas? Ele não sacava, simplesmente não conseguia ler, ou talvez tudo estava por ser turvo demasiadamente turvo.
Acordei de ressaca novamente, minha imagem no espelho só fazia crer que tudo que ocorrera foi mais uma vez efêmero demais para eu lembrar... nenhum sinal, nenhuma pista.
Aquele EU camuflava-se entre olho borrado de delineador, boca entreaberta com uma pequena fissura no centro do lábio e o vago. Onde eu me escondi nesse últimos meses? anos?
O que sobrou de mim?
Os cacos estão com estilhaços cada vez menores e juntá-los torna-se cada vez mais difícil e sei que minha habilitadade momentânea não está para isso. Ok! qualquer dia desse eu combino, qualquer dia eu me encontro!
Um dos Sonhos de Akira Kurosawa mostrava o Japão devastado e assolado por nuvens radiotivas de plutônio, estrôncio, césio. Não tendo para onde fugir, a população se atirava ao mar. - Golfinhos sortudos, podem nadar e escapar - diz uma mulher abraçada a seu filho pequeno, na beira de um penhasco. - Não adianta nada, a radiação os alcançará - responde a ela um cientista. No sonho que encerra o filme, um viajante chega a uma aldeia simples às margens de um lindo riacho com pequenas rodas d'água. - Qual o nome desta aldeia ? - pergunta a um velho de chapéu esquisito. - Ela não tem nome, nós a chamamos apenas de aldeia. - Vocês não tem eletricidade aqui ? - Temos velas e óleo de linhaça. - Mas a noite é tão escura... - Sim. A noite tem de ser assim. Vendo as fotos da tragédia atual na internet, me lembrei do filme, que tenho em casa. O velho mestre do cinema não deixou de alertar para questões tão relevantes. Não se omitiu atrás de sua arte. Mas artistas são idiotas, e o mundo precisa ser transformado até a destruição, com muito trabalho e dignidade, ou as pessoas morreriam de tédio em aldeias sem eletricidade, onde só conseguem imaginar e suportar alguns dias de férias. Entre a paz e o césio, o mundo já fez sua opção.
Corpo suspenso de reações o estado de dormência leva os pensamentos em "out".
São muitas informações procuradas e elas causam formigamento, formiga bem na cervical... E a tentativa de entrar no estado de "in" é substituída pelo atropelamento das palavras sobrepostas latejando inchadas. Vou esvaziar meu disco e ficar "off" em dormência, buscando um estado de consciência induzida, sem interferências, sem contatos, sem perfis.
Agora ele está em minhas mãos pulsando... Vivo. Pulsa durante a madrugada e todos os desejos e referências sexuais são derivadas dele.
O arranquei e ele é vermelho, dá vontade de lamber.
O gozo se torna algo angustiado, buscando a morte da dor, do prazer à dor a morte e sepultamento do que fora prazer.
Em pensar que estava prestes a me desfazer dele. Não! Vou comê-lo. Melhor assim...
Não quero ouvir tudo novamente, todas as palavras que já foram ditas.
Mude pelo menos o timbre, que escorram palavras e que essas frases montadas sejam verdades e não um monte de códigos triviais jogados ao vento.
Finjo...
A dor é localizada.
Escorre um pouco de seu vermelho quase vivo - quase morto pelos braços
-Acho bonito de ver-
Tinha medo de ele ser metafísico, mas, você me ajudou, tirou a prova dos noves e resolvi conferir.
Agora caminho pelas ruas e te apresento minha nova posse tangível aos olhos de todos.
Olhe! Era para ti. Coloque o dedo ai bem no ventrículo... Qual? Tanto faz direito ou esquerdo, vamos nos perder a todo custo, de todos os jeitos, não é assim que as coisas funcionam?
As forças diminuem, o tempo se esvai e ambos sem conseguir movimento ou contrações.
- Mas, é tudo tão bonito!-
Ainda resta tempo...
Aperto-o e a textura suculenta o sangue escorre mais como uma calda.
Coloco-o numa baixela antiga de prata ou ouro branco português. Aquelas peças herdadas de família, das mulheres de minha família. A peça tem estória... Gostaria de escutá-las, não sei mais se há tempo para saber o que de fato ocorreu. Se ainda é possível me entregar a investigações.
Observo o quanto posso ou quanto o tempo nos permitir. E fico na dúvida hesitante...
Devorá-lo ou contemplá-lo até a brevidade que me resta?
Estou sentindo algo muito forte por você. É...eu... bem... acho, que estou te amando. Estou te amando. eu te amo. Amo-te muito. Você é o amor da minha vida. Amooo você. Você é meu amor para sempre. TE Amo. EU TE AMO. Eu te amo. eu te amo. amo você. amo tudo em você. Te amo inteira. Amo muito. Amo. Eu amo. você é meu amor. Amo. ainda te amo. eu. é é...não sei mais o que sinto. Acho que não sei o que sinto. eu ...é eu... acho você...é acho que não sei mais. eu eu eu eu... não duvide foi amor. foi...acho...eu não sei mais.
Ficava afetada com a mudança dos ciclos, mesmo mostrando-se mulher forte, recaía... E tornava-se sensível a lua, a folhinha, as instabilidades de seu amor. Desde o começo tivera a sensação que nada seria simples, mas, foi se adaptando se entregando... Procurando e... Entrou, bem no meio da zona de conflito...dela mesma com suas razões, medos e auto prevenções já escassas neste momento e o “outro”. Ela acaba de entrar no pântano, tinha desaprendido seus próprios mecanismos, porque escolheu subjetivamente sentir e viver, tava ali sem protetor solar, armadura, guarda chuva ou casaquinho de lã, não havia mais proteção qualquer, estava perdida dentro de uma história que ela não sabia mais se foi escrita a duas mãos ou se ela era a total responsável. Sentiu medo muito medo... Gostar é desesperador e só agora ela lembrou. Quem mandou seguir a maré, quem mandou enlouquecer todas as noites e acreditar que seria assim, que só seria assim, e que queria exatamente isso. Achar que toda a onda seria cristalina e completamente domável. Agora com um turbilhão de pensamentos e questionamentos ela percebe que o pior caldo é causado pelas próprias paranóias, e ela esqueceu que tinha perdido o jeito para lhe dar com seus próprios sentimentos e seu dom estava mais para olhar o “outro”, quem a conduzirá agora. Ele diz coisas sobre acertos e erros, ela começa a pensar que já teve que manter o equilíbrio para polpá-lo. Os dois são loucos e querem acertar...são perfeccionistas são parecidos. E ela queria só deixar o egoísmo de lado, acreditou piamente que estava curada, mas, hoje com uma raiva danada sacou que sempre fora a mesma.
Será que ele de fato achava que precisava listar as coisas boas, que porque, sempre foi incrível, não há chances para desentendimentos, isso é muito cristão. Ela resolveu listar também e ficaram mais uma vez pau a pau...era bem melhor as disputas de quem amava mais a quem....ela se entregou ao pranto a contragosto mas sem opção, merda!
Esses dias minha feminilidade foi lembrada, acordei e logo cedo meu útero disse: hey! Baby, tu é mulher, sofra!
O ciclo me confere sensibilidade, o coração pena numa disritmia, acordando, acordando e a racionalidade castiga todo o resto. Faz tempo que não me sinto assim, assustador.
Contrai forte essa vontade, platonismo sufoca, estou perdendo, perdendo o fôlego de verdade para você. Tenho medo de morrer, medo de sofrer, medo... Sou uma fracote.
Estou nua, dizendo a você... E você faz que não entende. Estou com frio.
Talvez eu desista, bata a porta inexistente. Corto sorrindo, simulando loucura.
A morte estava exposta ali no meio da sala. Era infalível, todos ali estavam suscetíveis, ninguém era imune. Esse tipo de situação fazia com que a vontade de fugir fosse implícita a mim, estava escrito no semblante e todos podiam ler, seria uma vontade compartilhada? Em todos existia esse desejo e a cada desejo de cada um dos presentes, havia flores, flores como se fosse inverno. Não era possível fugir, estamos todos condenados.
Uma símile de fuga, projetamos, falseamos. Em instante a cereja estava entre meus dentes, não força não força dizia a voz no rádio, o rádio de minha cabeça, cabeça de rádio, otto, de traz para frente e vice versa.
Isso porque a vida me choca, as pessoas, viver... Chocando a vida por ai até ela nascer para o fim, entering the other side.
Voltamos para a marca inicial, sentamos e lançamos o dado, reiniciando a partida, para partirmos e a despedida tediosa chegar
Estreiou dia 31/3 no teatro do CCBB a peça Êxtase. Foi meu primeiro trabalho em teatro, fazendo assistência para a figurinista Maitê. Muito enriquecedora para mim essa experiência, trabalhar com uma linguagem completamente diferente em processos e ritmo em relação a produção de moda fotográfica e figurino publicitário na qual venho fazendo, entrar em contato com o texto de Mike Leigh, pesquisar, acompanhar o desenvolvimento dos atores e como o figurino responde e depois vem a compor o personagem e parte da arte no palco, muito bacana . Espero poder fazer mais vezes. E que todos prestigiem lá o trabalho de toda essa galera, fica em cartaz aqui em Sampa até junho.
Êxtase (Ecstasy, 1979) é uma peça cujos personagens centrais são imigrantes britânicos de classe trabalhadora em Londres. Na cidade grande, acham trabalho, mas se sentem, às vezes, perdidos, solitários. Disso trata o Ato I. No Ato II, a peça narra numa noite de reencontro e de bebedeira destes personagens, que tocam suas vidas com muito sacrifício, e que, apesar de tudo, tentam ser felizes.
Êxtase talvez seja a peça mais complexa de Mike Leigh, com dois atos bem diferentes e constantes mudanças de ritmo, constituindo um verdadeiro desafio para a direção e para os atores. Radicalizando a estratégia que utilizei em “A Festa de Abigaiu”, expandi a trilha sonora, introduzi elementos da comédia musical, e criei alguns números coreografados de forma realista e aparentemente casual, sempre sendo fiel a visão de mundo da peça de Mike Leigh.
Mike Leigh nasceu e cresceu em Salford, região operária próxima a Manchester, numa família de imigrantes judeus, em 1943. Desde cedo transitou entre os universos das classes operárias e médias. Muito jovem, chegou a Londres, onde estudou interpretação e artes. Eu, uruguaio naturalizado brasileiro, imigrante em São Paulo, e com origens familiares entre a classe operária e a classe média, me identifico muito com o trabalho do cineasta inglês, centrado no dia a dia de pessoas aparentemente comuns. E, sendo um cineasta apaixonado por teatro, nada mais natural do que encenar textos de outro cineasta que também faz teatro e explora magistralmente o universo de personagens, que apesar de estarem bem distantes em termos geográficos, os sinto muito perto de mim.
Esta é minha segunda incursão no teatro. Aos meus parceiros neste novo projeto, meu enorme agradecimento.
Mauro Baptista Vedia
Texto: Mike Leigh Direção: Mauro Baptista Vedia Elenco: Erika Puga (Jane), Amanda Lyra (Di), Mário Bortolotto (Mick), Eduardo Estrela (Leo), Francisco Eldo Mendes (Roy), Fernanda Catani (Val) Tradução: Mauro Baptista Vedia e Mercedes da Costa e Silva Direção de Produção: Mauro Baptista Vedia e Platão Capurro Filho Cenógrafo: Álvaro Razuk Luz: Marcelo Montenegro Figurino: Maité Chasseraux Versão DAS músicas populares: Carlos Careqa Fotos: Lenise Pinheiro Trilha Sonora: Mauro Baptista Vedia Gravação de trilha: André Carvalho Assistente de direção: Platão Capurro Filho 2º Assistente de direção: André Carvalho cabelo e maquiagem: Fábio Bento Assistente de produção: Carolina Mesquita Assistente de Figurino: Dani Porto Operador de Luz: Vinicius Andrade Operador de Som: Rodrigo Cordeiro Contra-regra: Carolina Mesquita Design Gráfico: André Carvalho Cabelo e make-up: Fábio Bento Assessoria de imprensa: Arte Plural Coprodutora: Kashmir Produções Artísticas e Teatro Direto da Cooperativa Paulista de Teatro Realização: Centro Cultural Banco do Brasil - SP PATROCÍNIO: Banco do Brasil Agradecimentos: Mike Leigh, Nicki Stoddart, Alfredo Manevy, Gustavo Souza, Ana Andreatta, Claudia Jaguaribe, Helen Grearson, Maurício Hirata, Cleonice Antunes, Emerson Mostacco, Luciano Chirolli, Alice, Restaurante Planeta’s, Restaurante Apfel e Bar e Restaurante Barão da Itararé.