Lisa piscou para mim


sem um título cabível.



Eles se olharam depois de anos e se reconheceram. Ninguém falou nada, as palavras não cabiam no contexto, as coisas são assim, na real, o melhor é o não dizer, a ausência da palavra a intimidade do silêncio, silêncio que os acompanha desde o reencontro precedente da tragédia de ambos, o mesmo silêncio da certeza, do entendimento.

E eu sentada ali, a mercê de tantos sentimentos. Não deveria me submeter a isso, sei que sou dada a sentimentalidades.
O escuro, naquele escuro... me enfio em um buraco, enterrada na poltrona, sem poder enxergar os rostos e suas expressões, somente todo esse "afeto-movie" que me ronda em pieguices.

Eles dois amarrados, por opção. Escolha...caminhando lado a lado.

asssisto por opção.

A morte...depois do amor, a morte para um final feliz,a morte para a mocinha comovida chorar sozinha na sala de cinema ... o fim.

Escrito por Dani Porto às 19h24
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Danny Boyle x Darren Aronofsky







Escrito por Dani Porto às 21h30
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água



Arthur Boniconte



álbum do NIN





Escrito por Dani Porto às 01h52
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resposta aos estímulos



...então, ele perguntou-me: você gosta de trepar?
Lancei um olhar vago em direção ao horizonte e balbuciei um sim. Era assim que me sentia naqueles dias, como um buraco no asfalto. E eu tinha um buraco na minha alma... o gozo era uma coisa efêmera, me deixava trêmula, mas, nunca saciada de fato...olhava para o lado e não o queria mais. A umidade passou e tudo que ficou latente em mim foi o vazio, como se o nada tivesse paredes, ainda formigava na região estomacal.
Quando eu caminhava nas ruas da cidade com meu jeans justo, sentia como se eles fossem cães a farejar meu sexo, isso me agradava me fazia sentir mulher, porém, estava bem enganada. Instintos, aprendi que cada um tem os seus, isso não é ensinado, você senti e segue...
E os meus instintos brincavam comigo, porque, hora queria prazer a qualquer custo, outrora queria me emacular de virtudes, de pureza...queria na verdade e isso batia em meu coração todas as noites depois de me embriagar e parar em algum quarto qualquer da cidade...o que eu buscava era um amor. Algo que fosse real, como “hello hello, good morning...” o dia amanhecendo em um domingo de verão. Tudo tão inverso ao meu mundo. Só conhecia a noite, as sombras nas calçadas, o cheiro de bebida e mijo nos banheiros, as conversas bambas, os copos de whiskey, as luzes da cidade. O que ocorria do amanhecer até ás 17hs da tarde não me dizia respeito. Definitivamente, não conhecia a luz do sol... ela só existia em minhas recordações infantis. Para me confortar tenho sonhos que me levam a essa nostalgia, e me vem cheiros, cores, rostos. Acordo e lembro de quando vivia, antes de ser engulida por minhas próprias vontades.
****

Nada que uma dose não resolva...
****

Sim! na verdade é isso que vim fazer aqui. Trepar!
Acordei olhei para a janela e pensei hoje vou trepar com ele.



mais, uma dose por favor!


****

Vou ao toalete... (ele deu um tapinha na minha bunda, olhei pra trás e recebi uma piscadela)

*******

fui ao toalete, furar meu dedo. Era isso que eu fazia quando algo me incomodava.
O sangue escorria quente pelo meu dedo e hipnotizada eu o lambia.


******

sai: peguei um táxi e
no outro bar pedi mais uma dose e é bem provavel que tenha acontecido tudo igual, minhas noites são assim...
repetidas, como se eu estivese trancada dentro de uma caixa, a caixa da noite.




(para Hilda Hilst)


Escrito por Dani Porto às 01h41
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Homem do nosso século!

Na pós modernidade, a questão da masculinidade é colocada em xeque. Homens assumidamente metrosexuais, mercado da cosmética apostando em produtos para os meninos, a estética slim, e até meu tesão por garotos, digamos com cara de viado, claro, meu bem! sou uma mulher desta geração...E nesta temporada de moda a sensualidade masculina está sendo visada. Se bem que há tempos já surgiram indícios do que estaria por vir, se pensarmos em Elvis rebolando, Jim Morrison esbanjando sex appeal com suas calças de couro, Mick Jagger, Ney Matogrosso em Secos & Molhados e a androgenia em pessoa David Bowie e todo seu séquito da década de 80, meninos de lápis no olho no new gothic. Da música vamos a moda, há duas temporadas o assunto está em pauta desfilando pelas melhores fashion week´s do mundo, Miuccia está com sua modelagem cada vez mais slim logo vc pode usar a mesma roupa do seu namorado, vai te servir! No verão 2009 da Prada foi desfilado um mini-vestidinho polo. E YSL foi além na sua campanha, primeiramente a coleção que aposta em tecidos como crepe, organza e seda. Depois em parceria com a produtora inglesa Colonel Blimp, produziram um vídeo com sete curtas, explorando em imagens a questão da masculinidade e imagens do masculino. Completamente surreal, sensual e poético. Brincando com códigos de sensualidades inerentes ao ser humano independente do sexo, e essa é a inspiração da coleção . Com o fofo do Jack Huston atuando.

Segue o vídeo e abaixo foto do modelo Rodrigo Rothem, que causou frisson nas fashioistas, com sua performance no desfile da Rosa chá no SPFW verão 2009.






Rodrigo Rothem toma banho nu em desfile da Rosa Chá




Escrito por Dani Porto às 01h26
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fragmentos



Acordo e vejo o mundo querendo me impressionar e
tudo que sinto é o frio de uma manhã cinzenta.


- a menina pensa ser blasé -

tudo soa tão vago dentro de mim e quanto mais a vida
tenta me envolver, com seja lá o que for, a pedrinha ecoa lá dentro...


pescando vidas
se dando e fingindo sentir, como se eles fossem especiais, ninguém é
nem mesmo ela.

- um dia ela se assustou no meio da noite, a solidão havia tocado em sua pele, despertou...e conversou com as sombras dela mesma, não havia ninguém naquele quarto. Esse susto por vezes, mêdo. -




gosto quando o dedo toca nas minhas feridas,
isso me
faz lembrar
que
ainda
estou
viva...
a dor proporciona insights da realidade,
e assim amanheço e anoiteço embriagada.


- quando brinco de porra-louquice, a ressaca moral latente no hálito do dia seguinte, me descontrói...
uma sensação de abismo toma conta de mim, sentada, fumando meu último cigarro, o que restou da noite passada.



foi em vão?


Escrito por Dani Porto às 01h50
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onde anda o tempo? ainda dá?



- que pena! que pena! -
Um dia Danilo e eu nos encontramos, mas, estávamos ocupados demais vivendo...ou será, que isso ainda não aconteceu?
E o jorge cantou naquele provável dia invisível. E os sabiás gorjeavam, nos fazendo notar que algo estava acontecendo naquele momento, seria um dejavú ou um presságio?
alguém gritou por ai : sei não...e fiquei sem saber, ficamos sem saber até hoje...será que para todo sempre? alguém já me disse para não potencializar as coisas e parar de resumir a vida em tudo-nada, nunca-sempre...mas, a minha tendência para o drama ou talvez as cores que só eu vejo, não permitem que eu encontre um meio termo diante dos fatos, tenho a impressão que se esse local existir, ali onde guardam as coisas mornas, tudo deve ser meio frio, meio oposto aos meus sentimentos almodovarianos, posso chama-lo de limbo, meu limbo particular. Vai ver que é por isso que vivo presa em meus sentidos, fico aqui parada pirando em contos de fadas, fadas histérias, but´s ok! mas, fico aqui como se vivesse um realismo fantástico, enquanto ás coisas acontecem de verdade lá fora...e quando elas de fato acontecem para mim, estou ocupada vivendo e andando por ai com o pensamento na lua, e vapt... perdi o time das coisas, o time certo do beijo na hora certa, da palavra que quando dita ecoa lá no fundo do cérebro fazendo uma pressão, perdi de...nem sei mais, quantas vezes. Sei que não sou a única culpada, mas, se eu quero, se eu sonho...porque me ocupo e deixo para depois como se fosse uma tarefa? isso não é tarefa, é vontade...agora minha cabeça rodou e minha dúvida inicial tornou-se um tanto nonsense, para ter resposta com algum sentido, agora ela não terá nunca resposta alguma, por que me esqueci dos questionamentos, esqueci meu nome, esqueci o que pensava quando o vi pela primeira vez, se é que um dia nos vimos...quem mesmo? Seria um sonho que gosto de repetir todas as noite, e tento decifra-lo no dia seguinte, quando alguém bate na porta da banheiro e me diz que
estou atrasada? olha ele novamente dando as caras...o tempo... nunca há tempo algum, e o tempo se perde vadio por ai, como perdi o time certo do tempo de conhecer ...aquele mocinho da pastelaria onde tem um caldo-de-cana incrível. Seria ele que encontrei naquele dia tumultuado? o pasteleiro?

Escrito por Dani Porto às 18h27
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assim...



Um supapo na cara, ele me foi arrebatado. Um dia foi assim, batia perfeitinho contido,dava até para contar e sem mais nem menos, tomado assim por ela de sopetão mesmo. No estômago as borboletas faziam curvas com seu voô solene, me enchendo de angustiante ansiedade. Não dava para prever nada, somente esperar, esperar que ele fosse roubado, fosse levado embora de uma só vez. E que o preço do resgate fosse um beijo longo e molhado, como aqueles que costumavam ser asssistidos.Ah! eu era dessas que brincava de inventionices agudas no final das tarde de inverno. Sempre achei que era a hora proprícia para esse tipo de jogo, barra- manteiga-na-fuça-da-nêga, e saia correndo para buscar o sonho, para além do país das maravilhas, para além da terra do sentir.

Escrito por Dani Porto às 18h14
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Os melhores de Johnny Deep!

No auge de seus 45 anos, John Christopher Depp II , tem uma filmografia extensa. Louvável por conseguir com seus papéis marginais e bizarros, ter carisma ao mesmo tempo. Deep, um dos poucos atores dessa geração que não se vendeu ao estigma de galã. Estreiou com A hora do pesadelo em 1984, hoje acumula cerca de 38 atuações e uma direção O Bravo em 1997.
Esses são os meus preferidos: Dead man, Medo e delírio, Cry baby, Edward mãos de tesoura, A lenda do cavaleiro sem cabeça, Profissão de risco, Era uma vez no méxico, Gilbert grape, A noiva cadáver, O libertino, A fantástica fábrica de chocolates e agora Sweeney Todd.

Os mais sensacionais!!!











Escrito por Dani Porto às 18h10
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Sweeney Todd



Tim Burton, sempre me deixa feliz em parceria com Johnny Depp, diríamos que é algo além do bem e do mal, mal...demoníaco? O que é isso sir Todd?
“Os homens comem uns aos outros” / “Todos merecem morrer, até nós dois, Sra. Lovett ”
Amor, morte, vingança, tragédias e muita cantoria!!! Essa adaptação de Christopher Bond para musical Broadway, agrada, por quê, o sombrio-gótico, o humor negro, a excentricidade dos personagens, Direção de arte e fotográfica, uau!
Funciona muito!
Vou hesitar de traçar aqui uma sinopse do filme ou uma crítica. Assista!



Escrito por Dani Porto às 17h51
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Yardbirds



Escrito por Dani Porto às 16h20
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Blow-up - uns gostam de Antonioni outros de Scorsese, alguns nem os conhece!




Yardbirds-
desmitifica a destruição de guitarras no palco
moda -
cena incrível com Veruschka Lehndorff
ícone -
Jane Birkin
fotógrafo -
vive em busca do nada
uma hélice -
para voar, quem sabe?
crime -
há um crime a se investigar, o ápice, se perde já não importa mais...
tênis -
uma subjetiva da bola em meio a clowns

descobri que minha mãe não gosta de narrativa sem objetivos e finais sem sentido...
ela não quis ouvir meus comentários sobre os simbolismos e saiu se lamentando, que apesar do David Hemmings não ser mais gatenho, ela prefere Gangs de New York!






Escrito por Dani Porto às 15h47
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aqui jazz...



Helena sentiu aquele suspeito frio na espinha, quando em meio ao burburinho do bar tocaram no assunto de “entrega”. Engoliu seco e hesitou fazer qualquer tipo de comentário, sentiu que pelo menos ali externamente diante das pessoas, ela se manteria integra e digamos menos individualista. Sua cabeça estava a mil, assim como seu coração ficou certa vez, após uma possivel “entrega”. Os metais da banda de jazz que tocava naquele local, lhe trazia sensações absurdas, lembranças e a palavra ENTREGA vinha acompanhada de três cubos de gelo e seu pessimismo diante do tal “amor” ocupava sonoramente o espaço. Ela sabia que não adiantava se isentar de comentários se sua cara de blasé já dissera a muitos diafana: não me entrego a toa e ninguém merece sacrifícios...
Mas, ela preferiu polpar as pessoas de sua tristeza. Pegou seu copo, levantou-se e foi dançar perto do palco, dançando ela se salvava de seus próprios medos, dançando ela sentia seu corpo em chamas e não se machucaria mais... dançando ela de fato se entregava...

Escrito por Dani Porto às 00h19
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...Maia




Fêmeas, gamadas em minha carne, e esta
garota que me olha com amor de gêmea,
cubram-me de sorrisos, que eu, poeta,
com flores os bordarei na blusa cor de gema!


Escrito por Dani Porto às 22h08
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amor, finais felizes e Kitano




Numa dessas noites regadas a cervejas e uma boa conversa, o assunto sobre estrutura dramática se debandou para o filme Dolls (2002), que eu havia assistido a pouco tempo. Sempre fui meio cismada com essa fórmula hollywodiana de “happy end” e do conceito de amor de princesas da Disney, ás vezes, quando criança gostava até mais do vilão do que do príncipe, da bruxa do que da princesa...com o tempo meus conceitos foram se formando e me permito a chorar em boas campanhas de margarinas, a assistir comédias românticas com o Ben Stiller. Mas, essa síndrome de anti-heroí me persegue e quanto mais fora do lugar comum for o filme, mais me agrada. Esse “lugar comum” é no sentido ficcional, não precisa ser uma coisa absurda pr me agradar, até mesmo por quê, aprecio um tanto o realismo.
Esse meu amigo que me ouvia babando pelo Dolls do Kitano e pirando com a cultura asiática, colocou na mesa do boteco, as questões de linguagens e estruturas dramáticas, e bingo...se me identifico mais com Bertold Brecht do que à Stanislavisk, é meio óbvio o meu pré-conceito com filmes norte americanos padrão.
E chegando mais fundo, ele me mostrou que adoro uma tragédia, sim ele me disse, sim eu acreditei . Desde os princípios gregos à Almodovar. No Dolls a forma de Takeshi Kitano contar as três estórias, usando o teatro bunraku criado pelo dramaturgo Chikamatsu Monzaemon (1653-1724) como inspiração e introduzindo a linguagem do teatro de bonecos no filme, é incrível. As cores, a fotografia que traduz bem os sentimentos, a dor. Um lance que achei notável, me avisem se estou pirando, por mais que dramaturgia seja trágica, notei que nas três estórias antes da tragédia findar-se na morte, há um insight de que algo se concluiu e a morte deve ter outra conotação no pensamento asiático, muito diferente do que significa no mundo ocidental. Matsumo e Sawako, ela reconhece seu amor antes dos dois morrerem, Miro, volta ao parque e reencontra sua ex- namorada de 30 anos atrás antes de ser assassinado, e na estória de Haruna Yamaguchi, a pop star, seu fã consegue chegar a ela antes de morrer, sendo obsecado pelo ídolo, ter conseguido tal feito seria uma vitória, certo?
Acho que Dolls tem um final feliz...


Escrito por Dani Porto às 14h23
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