aqui jazz...

Helena sentiu aquele suspeito frio na espinha, quando em meio ao burburinho do bar tocaram no assunto de “entrega”. Engoliu seco e hesitou fazer qualquer tipo de comentário, sentiu que pelo menos ali externamente diante das pessoas, ela se manteria integra e digamos menos individualista. Sua cabeça estava a mil, assim como seu coração ficou certa vez, após uma possivel “entrega”. Os metais da banda de jazz que tocava naquele local, lhe trazia sensações absurdas, lembranças e a palavra ENTREGA vinha acompanhada de três cubos de gelo e seu pessimismo diante do tal “amor” ocupava sonoramente o espaço. Ela sabia que não adiantava se isentar de comentários se sua cara de blasé já dissera a muitos diafana: não me entrego a toa e ninguém merece sacrifícios... Mas, ela preferiu polpar as pessoas de sua tristeza. Pegou seu copo, levantou-se e foi dançar perto do palco, dançando ela se salvava de seus próprios medos, dançando ela sentia seu corpo em chamas e não se machucaria mais... dançando ela de fato se entregava...
Escrito por Dani Porto às 00h19
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