Lisa piscou para mim


Sentir- coisa grave

 

Pierre se despiu de palavras – silêncio - foi a primeira vez que ele se mostrava por inteiro a Beatrice. E ela uma vez louca e lúdica, foi sentindo os sons daquele apartamento antigo que ecoava o ritmo da respiração dele. Beatrice estava deitada sob o peito de Pierre, e deu para contar as batidas de seu coração... Sentiu-se estranha por um momento, questionando a si mesma se era, realmente, isso que ela queria. Eles estavam a cada dia, mais próximos, mas, Beatrice tinha a mania de levar as situações pelo vácuo, e assim não havia se dado conta do que estava acontecendo com eles a cada encontro, a cada transa, a cada noite que ele a convidava para passar em sua companhia. Os dois saiam juntos, bebiam, se divertiam, beijavam-se de forma intensa, dormiam juntos... No dia seguinte Beatrice partia para seu mundinho, e não sabia que dentro dela carregava um pouco de Pierre, um pouco deles dois.

Naquele momento de silencio e aconchego nos braços de Pierre, Beatrice se deu conta.

Beatrice se tocou.

Beatrice entendeu.

Beatrice se viu perdida.

 

Ela estava acostumada a ser sozinha, mas, por ser uma pessoa intensa se permitia a fugas... e caminhava muitas vezes, por caminhos desconhecidos, ela não fazia questão de descobrir onde ia chegar, só queria caminhar, por aquelas ruas desconhecidas, que mais tarde, a levaria ao mesmo local de partida. E isso lhe permitia certa segurança. Beatrice era acostumada consigo mesma. Suas vontades eram seguidas a risca, e levava a vida tranqüila, sem medo do mundo.

Agora ela se preocupava e não sabia, se a aflição era por não querer o que previu ou se era rendição. Preferiu não dizer nada a Pierre. Adormeceu em seus braços e seu sono não foi dos mais tranqüilos, ficou pensando se ele percebera. Acordou cedo, deu-lhe um beijo e partiu. Sem norte algum sem entender nada que pensara até então. Tudo era turvo para ela. De forma anacrônica partiu sem destino... Buscando entendimento dos fatos. E decidir se dobrava à esquerda ou à direita... Ela nunca precisou decidir pelos caminhos, lembram? Beatrice caminhava e neste momento ela percebeu que tudo era muito grave, mais do que previu.



Escrito por Dani Porto às 17h43
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